Kart

Esse desenho é especial, gostei muito de fazer e fiquei bem satisfeito com o resultado. Gosto muito desse tipo de contraste usando só a cor preta sobre o fundo branco, sem tons intermediários. Pretendo fazer mais ilustrações nesse estilo.

Sem contar que, só de ser kart, já é emocionante! (Quem já competiu, sabe do que estou falando.)

Original em nanquim sobre papel couchê

 

 

 

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Motores

Como disse antes, a sensação de velocidade proporcionada por um kart em um kartódromo de verdade é uma coisa sensacional. A proximidade do chão, a ausência de suspensões, as respostas rápidas e a possibilidade de fazer as curvas escorregando multiplicam essa sensação de uma maneira única. Muitos pilotos experientes afirmam categoricamente que entre o kart e a Fórmula 1, as outras categorias sempre parecem ser mais lentas. Não é à toa que eles sempre estão dando um jeito de dar suas voltas num kart.

Pra chegar nessa velocidade, o principal item do equipamento é o motor, pois sem ele, nada disso seria possível, a não ser que você se dispusesse a descer uma ladeira muito inclinada, mas mesmo assim nem chegaria perto.

Dos motores que são utilizados em categorias oficiais, temos uma divisão básica em 2 categorias, de acordo com o funcionamento dos mesmos. Os motores de dois tempos (2T) e os de quatro tempos (4T).

Numa abordagem bem simples, vou tentar explicar um pouco o que significa isso.

Um motor a combustão, a cada ciclo de funcionamento, cumpre quatro etapas básicas: Admissão, compressão, explosão e escape. Cada “tempo” do motor é uma ida ou uma volta do pistão dentro do cilindro. Logo, cada volta do eixo é completada em dois tempos do motor.

O motor 2T gasta dois tempos para cumprir um ciclo, ou seja, a cada ida e volta do pistão, ele cumpre o ciclo completo, juntando duas etapas em cada tempo. Já o motor 4T faz cada etapa em um tempo, ou seja, numa descida do pistão ele faz a admissão, na subida compressão, na outra descida explosão e na outra subida escape, gastando quatro tempos para completar um ciclo.

“Tá, beleza, mas pra que esse cara tá falando esse monte de coisa, se o que eu quero é acelerar?” Você deve estar se perguntando agora…

Pode parecer complicado, mas depois que você começa a pegar o espírito da coisa, facilita para entender que tipo de motor você vai usar, como vai usar, quanto vai gastar, quanto vai cansar, por que o outro piloto tá virando melhor que você… etc, etc, etc.

Então cara pálida, se quer mesmo começar a competir, vai precisar sim entender tudo sobre seu equipamento, pois só assim conseguirá melhorar sua performance e ganhar corridas.

Agora que você sabe o motivo de tentar entender tudo isso,vai começar a entender o que essas diferenças vão representar na pista e no seu bolso.

O motor 2T, normalmente é um motor que funciona melhor em rotações mais altas, tendendo a perder força se o giro cair. Por girar mais rápido, tende a desgastar mais e ser mais sensível a pequenas alterações. Mas em compensação, é um motor de mais fácil manutenção, por ter um número muito menor de componentes internos.

Já o 4T, tem torque bom em uma faixa mais ampla de giros, tem desgaste menor, mas uma manutenção mais complexa.

“Ahhh… agora sim você começou a explicar direito!”  – É… pode ser, mas só é possível perceber isso entendendo a parte lá de cima.

Mas agora é que vem a parte prática da coisa. O uso na pista, e o que isso vai te fazer gastar e por que.

Se você já assistiu alguma corrida oficial de kart, principalmente campeonatos nacionais, e depois foi assistir uma corrida regional, já deve ter reparado alguma diferença. Não digo quanto ao número de competidores nem beleza das corridas, mas sim no comportamento dos karts na pista.  Alguns passam gritando e fazendo as curvas de maneira mais agressiva, enquanto outros tem um barulho mais soprado, menos agudo, e o piloto contorna as curvas com mais suavidade. Se reparou isso, você começou a observar as diferenças entre os dois tipos de motores.

O primeiro exemplo que citei é com 2T, 125 cilindradas, que exige uma agressividade maior, por precisar funcionar em alta, mas pode escorregar mais um pouco por ter melhor retomada de velocidade (desde que o giro não caia muito). Já o 4T (400cilindradas) exige uma pilotagem mais delicada nas curvas, escorregando menos, pra perder menos velocidade, pois sua retomada é mais fraca. Mas por ter mais torque, não exige que o piloto se preocupe em não perder giro.

Normalmente, o 4T tem um comportamento mais dócil, sendo mais indicado para quem quer começar. Por ser menos sensível a alterações de clima e temperatura, não precisa de regulagens constantes no carburador (no 2T o piloto precisa saber fazer essa regulagem, pois vai alterá-la constantemente com o kart em movimento) podendo ter um padrão fixo. Com esse tipo de motor, o cara pode chegar, ligar o kart e ficar rodando o dia todo sem se preocupar com desgaste ou maiores ajustes. Mas pode precisar gastar um pouco mais quando for necessário abrir o motor. Não se assuste, abrir motor em equipamento de competição é muito comum, e deve ser feito de tempos em tempos, de acordo com o tipo utilizado.

Já o 2T exige mais conhecimento e experiência do piloto. Ele vai precisar saber regular o carburador, vai precisar de uma sensibilidade mais apurada, para saber conduzir sem perder rendimento, e vai correr mais risco de quebras pela delicadeza e quantidade de rotações desse tipo de motor. Mas é bem mais simples de refazer o motor, é muito mais gostoso e emocionante pilotar, e anda bem mais que o 4T.

Atualmente, com o aumento da preocupação com os custos, muita coisa tem mudado. Os motores 2T estão aos poucos passando a ser refrigerados a água, o que tem aumentado muito a durabilidade. Os 4T continuam a ar, mas com refrigeração forçada (ventilador), e não devem passar pra refrigeração líquida, pois são baseados em motores agrícolas, que não esquentam tanto e acabam não tendo essa necessidade.

Até bem pouco tempo atrás, a diferença de custos entre correr de 2t ou 4t era gigantesca, com o primeiro sendo muito mais caro, mas com essas mudanças citadas, isso vem se alterando aos poucos. Ainda existe uma diferença, mas não é mais proibitiva como já foi. Comprar um equipamento com motor dois tempos para correr um campeonato brasileiro hoje é possível para um “simples mortal”. Mas se a intenção for apenas se divertir nos finais de semana, poder dar suas voltinhas sem muita preocupação e participar de regionais, um quatro tempos é uma ótima opção.

O ideal para entender realmente tudo isso é começar a frequentar o kartódromo, ver os karts andando e conversar com as pessoas. Sempre ter na cabeça que é equipamento de competição e performance, e não brinquedo. Se não encarar dessa forma, nunca atingirá a performance desejada, e vai acabar se frustrando.

E não se iluda, se não tiver preparo físico, não vai aguentar o 4T e muito menos o 2T. Kart exige muito fisicamente e cansa bastante. Então antes de ir pra pista, corra pra uma academia e entre em forma, senão vai passar aperto!

Motor 2T, 125cc, refrigerado a água

Motor 4T, 400cc, refrigerado a ar

 

 

 

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Kart: Como iniciar

Como iniciar no kart?

A modalidade apresenta grandes números de usuários, seja no amador ou no profissional. As competições são feitas nos kartodrómos Brasileiros proporcionando boas disputas, oferecendo um evento emocionante para o público.

É muito simples começar, o importante é procurar uma boa escola de pilotagem ou a Federação do seu Estado e posteriormente a aquisição dos equipamentos para poder treinar e competir. É  recomendado contratar uma boa equipe para atingir o melhor acerto e desempenho do equipamento e do piloto.
Quais são os equipamentos básicos para iniciar no kart?

Todos os ítens abaixo relacionados:

- Chassi completo

 

 

- Motor 2 Tempos 125cc ou 4 Tempos 400cc

 

 

 

- Vestuário homologado (Capacete, Macacão, Luva, Sapatilha)

* Obrigatório e extremamente importante

 

 

- Ferramentas (jogos de chaves allen, boca, estria, fenda, martelo, alicate, chave de vela, espeto de rodas, desmontador de pneu, calibrador, cronômetro, carrinho para transporte, etc).

 

 

 

Sem essa lista de equipamentos fica muito difícil treinar, isso porque o kart é um veículo de competição onde é exigido seu máximo desempenho constantemente, as quebras são comuns e a falta das ferramentas faz com que o usuário não consiga passar o dia treinando ou competindo.

Onde comprar o kart?

A aquisição do kart pode ser feita de diversas maneiras, isso vai depender da disponibilidade da pessoa e tipo de equipamento que se pretende comprar.

Exemplos:
Visitação no kartódromo mais próximo.
Aquisição direto com fabricante.
Lojas especializadas.
Anúncios de jornais.
Pela Internet. (Mercado Livre, Mercado Race, Kart Gaúcho, Kart Online, Feirão KGV, Central Kart, All Kart, Planet Kart)

Existem muitas ofertas de venda de kart, mas temos que destacar a importância de não fechar negócio sem antes verificar o produto e de preferência peça para testar, leve sempre alguém que conheça de kart para dar uma opinião.

Quanto custa?

A aquisição do equipamento varia muito, caso queira comprar tudo novo os valores serão bem mais altos do que comprar usado, a vantagem é estar comprando um produto de ótima qualidade e competitivo. Os usados variam muito de preço, mas há sempre o risco de o equipamento estar obsoleto, com desgastes demasiados, contribuindo para a falta de desempenho e mais gasto com manutenção.

Preços médios dos equipamentos novos:

Chassi

Wild Kart – R$ 6.000,00
Thunder – R$ 7.000,00
Mega – R$ 6.000,00
Mini – R$ 7.000,00
Birel – R$ 8.000,00

Motor

4 tempos estacionário: entre R$ 1.500,00 a R$ 2.000,00 sem o kit adaptação
Kit adaptação, mais mão de obra: R$ 1.500,00
Motor 2 tempos: entre R$ 3.000,00 a R$ 5.000,00 sem o kit de refrigeração (R$ 1.000,00)
Motores de RD variam muito de preço, encontrando apenas no estado de usado, pois são motores de moto que já saíram de linha.

Onde correr?

Em qualquer kartodrómo, variando muito o preço. Muitas competições são feitas pelos proprietários ou administradores dos kartodrómos ou entre amigos de forma amadora, mas essas corridas não são homologadas pela CBA.
As competições regionais são ótimas opções para quem anda de kart indoor/outdoor, elevando sua qualidade de pilotagem e preparação de equipamento.

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Kart, uma História

Resolvi criar uma coluna exclusiva para Kart aqui no site. Para quem não conhece direito, o kart é uma das geringonças motorizadas mais divertidas que existem. Parece um brinquedo, é pequeno, tem rodinhas engraçadas, mas anda igual o capeta! A sensação de acelerar um kart com motor 2T é uma coisa indescritível, que só quem já pilotou (2 ou 3 voltinhas não contam, tem q treinar pra saber o que é acelerar um kart de verdade) tem a noção do quanto é emocionante fazer as curvas escorregando e tentando não parar de acelerar para manter o giro em alta.

Ivan "ajudando" a montar o kart.

Minha história de vida tem no kart um valor muito grande. Desde pequeno tenho envolvimento de alguma maneira com esses pequenos carros de corrida. Mas não pense que eu ganhei um kart e comecei a pilotar, e assim comecei a me envolver com isso. Nem de longe foi assim.

Tudo começou com a paixão pelas corridas. Meu pai sempre gostou, e desde que me lembro de conseguir entender alguma coisa desse mundo, paro em frente à TV pra ver todo tipo de corrida. Desde Motovelociade à Stock Car, passando por F1, Indy, Nascar e tantas outras. Basta estar passando uma corrida que fico estendido na frente daquele cubo luminoso vendo as imagens e xingando quem faz alguma cagada na pista ou fala asneira na narração.

Mas o kart mesmo apareceu um pouco depois, quando meu pai e um amigo foram ao Rio com uma caminhonete velha e trouxeram uma tralha que compraram por lá. Eram equipamentos de kart. Chassis, motores, pneus gastos, carenagens… Tudo veio amontoado na caçamba, meio desmontado e sujo. Não era equipamento de ponta, longe disso, era algum resto de alguma equipe que competia por lá, já desgastado com o uso. Enfim, tudo que já não mais servia pra quem queria ganhar um campeonato. Numa época em que o Rio ainda tinha Autódromo (e kartódromo!). E tinha competições de alto nível. Essas peças foram desmontadas, revisadas, pintadas e remontadas, num trabalho solitário do meu pai, com meu irmão e eu, dois moleques na faixa dos 5 a 7 anos, bisbilhotando curiosos aquela novidade, achando que estávamos ajudando em alguma coisa.

A trupe

Karts prontos, foi todo mundo para o aeroporto da cidade, que quase não tinha pousos e decolagens (kartódromo era um sonho, naquela pequena cidade do interior de Minas), para finalmente começar a andar. Eram uns 2 ou 3 karts, meu pai, um tio, e o amigo citado lá no começo do texto. E a gente, os moleques, observando encantados aquilo tudo.

Andavam o domingo todo, e na hora de “limpar o motor” com querosene, para remover o M50, eles nos carregavam no colo para conduzirmos os karts nas voltas lentas de limpeza.

Foram vários domingos assim, divertidíssimos, e depois de um tempo os adultos arrumaram dois chassis para montar para a gente poder andar também. Mas não chegamos a colocá-los na pista. Burocratas trataram de acabar com a brincadeira, dando um jeito de dificultar o uso do aeroporto. E o equipamento todo foi vendido.

Alguns anos se passaram, chegamos à adolescência, e surgiu a idéia de fazer um curso de pilotagem em Ipatinga, no vale do aço mineiro, a cerca de 300km de onde morávamos.

Pista do aeroporto

Então começamos a preencher os fins de semana com o kartismo outra vez. A escola não tinha recursos, os karts eram velhos e não funcionavam direito, e era mantida por gente apaixonada, que nunca ganhou dinheiro com isso, muito pelo contrário, era gente que às vezes colocava dinheiro do bolso, e não poupava dedicação, só para ver a garotada aprendendo. Nós fizemos o curso com muita vontade, e na corrida de formatura, fui pole e meu irmão segundo na classificação, e na hora de alinhar para a largada, surgiu não sei de onde um palpiteiro sugerindo inverter o grid. E foi ouvido! Me mendaram para a última posição, com um motor já sem compressão nenhuma por muito uso e pouca manutenção. Era certo que não aguentaria a corrida. Largamos mesmo assim.

A corrida foi muito agitada e acabou na mesma ordem da classificação, depois de uma bonita disputa na pista. Eu ganhei a primeira corrida que participei e meu irmão cruzou a linha de chegada em segundo. E o motor aguentou até o fim!

Formados pilotos de kart, conseguimos um equipamento que estava encostado numa oficina desde a época do aeroporto, de um outro amigo que tinha entrado na brincadeira na época. Revisamos tudo, tiramos a ferrugem, e fizemos a pintura das carenagens com a marca da empresa dele estampada, como agradecimento.

Nos mudamos para Ipatinga naquele ano, e finalmente tinhamos um kartódromo para andar quando quiséssemos. Íamos cedo aos sábados, saíamos já de noite de lá, e no domingo repetíamos a jornada. Andávamos muito pouco, é verdade, pois a grana era curta e o “paitrocínio” mal pagava o combustível. E o equipamento antigo já não aguentava mais o tranco. Então era muito mais tempo com a mão na graxa do que no volante. Mas foi uma época deliciosa, fizemos alguns campeonatos, quebramos em muitas corridas, e aprendemos demais, tanto de mecânica, quanto de dinâmica de corridas, mas principalmente da vida e de superação.

Superação pois nessa época perdemos um tio, num acidente de kart, nessa pista. Um cara muito bacana, que foi embora muito cedo depois de ter superado um câncer que quase o levou antes. Mas nem por isso desistimos, inclusive participei de uma corrida pouco tempo depois, carregando um adesivo preto com um in memorian, colado no capacete. Com essa corrida, na qual tive um desempenho muito bom, quase consegui participar de um programa de monopostos na França, mas não deu certo por falta de recursos financeiros que garantissem a empreitada. Numa época em que o kart estava no seu auge no Brasil, tinha pilotos como Felipe Massa, Nelsinho Piquet, André Nicastro, Danilo Dirani, Alberto Valério e outros despontando como grandes promessas. Mas começou a atingir custos exorbitantes, para começar o seu declínio, junto com o automobilismo no país.

Corrida que quase me levou à França

Então a vida seguiu, passei no vestibular e tive que deixar as corridas de lado para fazer minha faculdade, sempre com a ideia de juntar uma grana pra voltar depois que terminasse. Me formei, virei adulto, e junto arrumei outras obrigações que impediram esse retorno. Por enquanto!

Agora, bons anos depois, comecei aos poucos a acompanhar novamente o que vem acontecendo no meio, e tenho percebido uma mentalidade bem interessante, voltada pra durabilidade do equipamento e redução de custos, inclusive para Campeonato Brasileiro (que já foi exclusividade de milionários). Isso me animou, e o coração voltou a acelerar com o grito de um Parilla, o cantado do pneu escorregando no asfalto e o cheiro de óleo dois tempos queimado, trazendo junto a idéia de um novo capítulo para essa história.

Igor Otoni

 

 

 

Estaremos aqui, juntos, eu e o meu irmão, o Ivan Cunha, destrinchando o fantástico universo desse esporte, na esperança de contagiar mais gente, e poder encontrar algum leitor na pista.

 

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