Sobre memes, preguiça e Zorra Total

Hoje rolou um papo bem interessante no Twitter sobre os memes e o que eu acho deles (ou mais precisamente do uso em tirinhas dos chamados “Rage” memes e suas variações)

Não vou dissertar aqui sobre o que são memes, pois tá cheio de blog e wikiqualquercoisas da vida aí e basta uma ligeira “Googada” para encontrar boas explicações sobre o assunto. Vou focar sobre os memes que são comumente usados em tirinhas e quadrinhos, como o Rage (também conhecido como FFFFUUUUU), o forever alone, o Fuck yeah e todas as variações do mesmo tema.

Costumo criticar bastante essa onda de historinhas com essas figuras, não exatamente por não gostar, ou por ser um chato mal-humorado e não entender “as tendências” da internet. Não é bem por aí e o buraco é bem mais embaixo.

Eu até acho algumas montagens bem engraçadas, e alguns memes mesmo por si só me fazem rir. E até eu já me rendi a utilizar uma ou duas vezes. O que me incomoda bastante é o exagero e a insistência do seu uso. Tá certo que se não se espalhassem como pragas, não poderiam ter esse nome, pois a essência do termo é justamente essa propagação incontrolável e inexplicável. E o problema todo está nesse paradoxo.

Só que isso cansa. E eu acho que me canso antes que a maior parte das pessoas. E sua utilização vira um clichê quase tão insuportável quanto os bordões do Zorra total. Tudo que se torna piada fácil acaba perdendo a eventual graça que talvez tivesse no início.

Mas o pior de tudo é a potencialização da preguiça de colocar a cabeça pra funcionar ou desenvolver o próprio talento. Tem gente extremamente criativa fazendo tirinhas com memes, desperdiçando idéias fantásticas num modelo de humor já batido.

Nessa parte do texto vai ter gente pensando: “Ah, esse cara tá desabafando porque gostaria de ter as idéias que os caras tiveram e queria estar bombando na internet como as tirinhas de memes…”. Se você pensou assim, sugiro voltar e tentar reler o texto pra encontrar outra interpretação.

Lógico que tem idéias ótimas e que eu gostaria de ter pensado antes, eu mesmo falei aí em cima sobre gente talentosa na área. E é lógico que tem algumas que são realmente engraçadas ( a da paródia da música Bohemian Rhapsody do Queen mesmo eu achei genial), mas essas seguem um roteiro bem original, e muitos até redesenham o meme pra ter uma personalidade mais próxima à do autor. Sem contar que o uso vez ou outra é uma coisa, bem diferente de ficar martelando a mesma tecla diariamente.

Mas em qualquer lugar existem ideias que eu gostaria de ter tido. Uma delas é o clipe de papel, que é uma puta invenção genial e simples, que eu queria muito ter sido o inventor. Bem como muitos cartunistas feras que eu fico embasbacado pensando: – Caramba, como esse cara conseguiu pensar numa coisa tão bacana assim?

Mas eu gostaria de ver mais pessoas que estão desenvolvendo esse tipo de trabalho, tentando começar a produzir material completamente autoral. Queria ver a galerinha nova treinando desenho, criando personagens, bolando histórias realmente inéditas, ao invés de ficar batendo na mesma tecla e partindo pro caminho mais fácil.

Claro que é mais fácil já pegar um desenho pronto, colar ali e só formatar a idéia, mas quem disse que o mais fácil é o melhor caminho? O mais fácil é mais rápido, mas também é o menos durável, e o de reconhecimento mais volátil.

E o prazer em sentir o aprimoramento do traço, o processo de criação, a descoberta de novos materiais só vai ser sentido por quem tenta dar sempre passos à frente. E quem se prende à ideias pre-fabricadas fica estacionado, perde tempo e fica vulnerável a ser engolido pela próxima modinha do momento. E viver de acompanhar modinhas, além de não estar com nada, é tarefa complicada, pois elas são muito rápidas, tanto pra se espalhar, quanto pra sumir.

 

 

Um exemplo de uso genial e bem feito de memes, justamente por usar uma idéia original e extremamente bem pensada é essa paródia da música Bohemian Rhapsody, que eu catei no ololco.com

 

 

 

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